Seção(ões): Colunas, Jeremy Joseph
Publicado por Jeremy Joseph em 25/Aug/2008 às 15:13hrs
É muito bom falar de uma coisa que eu gosto tanto. Ainda mais quando eu falo para um público tão bom quanto o do Papo de Bêbado. Mas o melhor é quando as pessoas me procuram e falam que compraram tal cachaça pensando no que eu escrevi (ou em mim, para ser menos modesto). O fato é que uma dessas pessoas me presenteou com três cachaças artesanais nesta semana e eu quero compartilhar a minha experiência com vocês.
Essas cachaças percorreram um longo caminho até chegarem a mim. Uma veio de Florianópolis/SC, as outras duas de Paraíba do Sul/RJ e as três se encontraram em uma cachaçaria em Juiz de Fora/MG!
Eu não conhecia nenhuma delas e como me foram presenteadas, não sei os valores e a condição que me foi imposta ao recebê-las foi que eu fosse sincero na avaliação. Missão aceita, vamos às apresentações e impressões:
A primeira que eu experimentei foi a Dona Vânia, de Paraíba do Sul e veio sob a justificativa de que só foi comprada pela beleza da garrafa e não pela qualidade, que era totalmente desconhecida. É realmente uma garrafa muito bonitinha, alta e estreita com rolha, mas faltam informações básicas como volume e graduação alcoólica.
A cor é de um amarelo bem suave. Pálido, eu diria. O cheiro é bem peculiar e você pode perceber a cana ao fundo, mas ele denuncia algo a mais e eu pude comprovar logo em seguida.
Quando dei o primeiro gole, a decepção. A beleza da garrafa esconde uma cachaça com envelhecimento incompleto, adição de malte para dar a cor amarelada e o que se percebe é tão simplesmente o gosto de álcool e mais nada. Estávamos em uma roda de amigos e a Dona Vânia nos deu um forte tapa!
Um belo desperdício de garrafa, mas que ainda dá para aproveitar para fazer uma batida em festa com bebida liberada. Que papelão, Dona Vânia!

Essa pancada deixou a todos um tanto quanto apreensivos na hora de provar a segunda cachaça: a Armazém Vieira Esmeralda, de Florianópolis. A garrafa vem em uma embalagem caprichadinha com muitas informações (750ml e 40% de graduação alcoólica) inclusive sobre as outras cachaças do fabricante.
O aspecto é realmente muito bom: o tom clarinho e levemente esverdeado conseguido através do envelhecimento por quatro anos em tonéis de araribá e grápia faz jus ao nome Esmeralda. O cheiro é muito intenso e amadeirado, o que assustou os leigos da roda, mas é um belo aroma onde se nota claramente a influência da madeira.
Na golada, a surpresa: é um excelente sabor levemente pungente (arde), com partes bem amadeiradas arrematado com o sabor da cana ao final.
Não é uma cachaça que vai agradar aos paladares iniciantes, mas fiquei satisfeito com o que encontrei dentro deste armazém. Detalhe importante: nota dez para a garrafa que depois de um belo tombo no chão saiu completamente ilesa!

Com os ânimos renovados, passamos para a última cachaça e eis que surge a baixinha e gordinha Casa do Barão, também de Paraíba do Sul e apesar de ser vizinha da Vânia, essa casa é bem diferente. Logo na entrada vemos a garrafa de 670ml que contém um líquido de 40% de graduação alcoólica muito atraente ao olhar.
Armazenada em tonéis de carvalho, esta cachaça ficou com uma cor bem bonita e com boa fluidez na garrafa. Na sala da casa, o aroma já é um deleite por si só. É impressionante como os cheiros são tão característicos. O cheiro de roça é marcante e só ao fundo você pode perceber a presença do carvalho na composição.
E o que esta casa me serviu tem um sabor… incrível! Uma excelente descoberta com enorme suavidade, nenhuma ardência gosto de cana-de-açúcar recém extraída. É a típica cachaça para recomendar a qualquer pessoa que ainda tenha algum preconceito com o destilado nacional.
Pode servir sem medo de ser feliz! Entrar nessa casa foi muito agradável e tenho certeza de que voltarei mais vezes!
Fechada a roda de degustações com chave de ouro, trouxe os exemplares para casa (de táxi, é claro) com a satisfação de ter conhecido mais três cachaças que me foram presenteadas com muito carinho e só por isso já teria valido à pena!
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Samir Wilson balbuciou no dia 25/Aug/2008 às 23:49
Agente sempre espera de uma cachaça artesanal, qualidade, mas só algumas agradam.
Pra mim cachaça boa é aquela mais suave!
Sempre valorizei essa bebida genuinamente brasileira.
Ávido balbuciou no dia 26/Aug/2008 às 0:15
É coisa que brasileiro sabe fazer bem!
Jeremy Joseph balbuciou no dia 26/Aug/2008 às 10:31
É verdade, Samir. Assim como todo artesanato, há os bons e os nem tanto. Com as cachaças artesanais acontece a mesma coisa. Há aqueles que não se importam com a experiência do consumidor e pensam apenas em vendas. É daí que surgem essas decepções!
Samio Emanuel balbuciou no dia 27/Aug/2008 às 20:32
Verdade!
O brasileiro sabe fazer cachaça!
Pricipalmente em Salinas!
Terra da cachaça boa!
Gustavo Almada balbuciou no dia 09/Nov/2008 às 1:06
Show de bola hein?!
Chega deu água na boca.
Já no ramo das “artesanais”… recomendo a cachaça Reserva do Gerente - Guarapari/ES.
Já fora eleita a 3º melhor cachaça artesanal do Brasil.
É dar uma golada e encontrar o paraíso!!!
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