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O Epicure Sommelier é o profissional especializado em combinar sabores e aromas de bebidas e alimentos. A arte de casar bebidas, alimentos e charutos é conhecida como harmonização. O objetivo da harmonização é evitar que a combinação escolhida possua um elemento que ofusque o paladar do outro. Mais uma vez, a combinação deve possuir equilíbrio perfeito.
Como já falamos por aqui, existem inúmeros tipos de Whiskies com os mais distintos sabores. Um Whisky mais encorpado requer uma bebida de sabor forte e paladar rascante. Um Scotch complexo, que envolve suavidade e um blend difícil de ser compreendido, será completamente subapreciado caso você o combine com uma bebida tão densa como café expresso.
Bem, essa é uma arte que requer muita prática e estudo. Entretanto, isso não impede nós, amadores, de tentarmos algumas combinações menos ousadas e já consagradas. Mantenha sempre em mente que a intensidade dos elementos da combinação deve ser semelhante. A seguir, algumas dicas para quem quiser apreciar uma harmonização entre Whiskies e charutos sem maiores riscos:
Os charutos coronas possuem muitas vezes uma cor mais clara, próxima do bege e não do marrom. A denominação capa clara indica que a queima de suas folhas produzirá um sabor menos intenso. Mesmo assim, coronas não são necessariamente suaves à ponto de você não poder combiná-lo com nada senão uma garrafa de água.
O tempo de degustação de um corona varia de pessoa para pessoa. Entretanto, é comum levarmos entre 30 e 40 minutos para terminar de queimar o charuto completamente. Esse é o tempo em que podemos utilizar para bebermos uma garrafa de uma boa cerveja pilsen. O corpo pouco acentuado das cervejas pilsen casam muito bem com a maioria dos coronas fazendo dessa combinação a escolha perfeita para o final de tarde.
Minhas dicas pessoais seriam um Dona Flor Corona da Bahia acompanhado de uma Bohemia tradicional.
Dificilmente encontraremos um Scotch tão suave quanto um corona é. Entretanto, um Whisky suave, amadeirado e envelhecido como Johnnie Walker Gold Label não causa tanto rascor como alguns de seus irmãos com sabores mais marcantes. O Gold Label é uma boa pedida para suavizar o corona ainda mais sem necessariamente neutralizar seu paladar.
Conta-se a lenda que Winson Churchill considerava o tamanho tradicional de um charuto insuficiente para saciar seu prazer em degustá-lo. Fidel Castro teria pessoalmente mandado fazer um charuto para o britânico que seria um dos maiores estadistas de todos os tempos. Para atender ao pedido do célebre apreciador da iguaria, o charuto Churchill foi produzido com alguns centímetros adicionais.
O maior comprimento desses charutos resultam em até 15 minutos extras de degustação. Devido à essa experiência prolongada, o corpo de um Churchill não costuma ser tão acentuado como o de um robusto. A bebida que o acompanha também deve ser selecionada considerando essa duração adicional.
Por essa razão, deve-se evitar o consumo de Whiskies com muitas pedras de gelo enquanto degustamos um Churchill. Ao final da queima do charuto a água do gelo derretendo terá suavizado a bebida de tal maneira que o corpo moderado de seu Churchill terminará por fazer seu Scotch soar como água. A dica é fugir dos Whiskies adocicados que, após diversos goles, podem se tornar um pouco enjoativos.
Uma boa combinação seriam Scotchs single malte de corpo moderado, tal como Glenfiddich e um charuto Romeo Y Julieta Churchill.
Como Scotchs são bebidas tradicionalmente muito encorpadas, nada combinará tão bem com um Whisky rascante como o mais forte dos charutos: o robusto. Harmonizar um charuto robusto com um Scotch de blend marcante é uma experiência muito agradável. A combinação torna ambos elementos uma iguaria mais complexa e envolve novos prazes que, quando separados, nem o charuto nem o Whisky podem proporcionar. Além do mais, acertar o tom entre o corpo de um robusto e um blended Scotch é muito fácil.
Quase todos foram feitos uns para os outros. Nunca tive a oportunidade de saborear nada tão interessante quanto um Johnnie Walker Blue Label e um charuto Montecristo no. 2.
Apesar de tudo o que escrevi, esse texto não deve ser interpretado como um manual. Tudo o que envolve nosso paladar não possui nada de científico, pelo contrário, é o mais subjetivo dos prazeres. Experimentar as suas próprias combinações pode acabar revelando novos sabores que ninguém mais descobriu. Uma bebida mais forte combinada com um acompanhamento menos encorpado é capaz de provocar uma impressionante e agradável suavização do segundo. Analogamente, um charuto robusto é capaz de amenizar muitos Scotchs Single Malt.
Fica aqui a sugestão pare que você compartilhe conosco suas combinações que deram certo, as que deram errado e o quão divertido foi o processo para chegar às suas próprias conclusões.
Outros artigos escritos por Dr. Scotch
TOTAL ALIEN balbuciou no dia 11/Mar/2009 às 16:51
CHARUTO ENFIM ENGOLIR FUMAÇA É UM LIXO !!!
Miss Bier balbuciou no dia 11/Mar/2009 às 17:12
cara, que delícia! de dicas e de post!
fiquei com tanta vontade!
adoro biritas e charutos!
Le Brasseur balbuciou no dia 11/Mar/2009 às 18:07
nossa… deu agua na boca… la em casa os charutos ficam do lado das garrafas de whisky e eu só adimirando a paisagem.
Um prazer bem caro esse
Que tal algo mais acessivel como uma cerveja Rauchbier da Eisenbahn que harmoniza muito bem com um charuto ArtistLine por exemplo… e claro .. harmoniza tb muito bem com pratos defumados, frios… eu particularmente adoro persunto parma … show de bola.
Dono do Bar balbuciou no dia 11/Mar/2009 às 22:29
Cheguei a comentar no twitter sobre a Rauchbier também Le Brasseur… Combina perfeitamente e é mais barato. Mas convenhamos, com whisky é bem melhor
Le Brasseur balbuciou no dia 12/Mar/2009 às 8:57
nem me diga… um Green Label com um Dona Flor .. nossa… dá pra sentir o extase.
Rafael Marçal balbuciou no dia 12/Mar/2009 às 9:59
Não seria HaRmonização?
Não curto nem Whisky, nem charutos… (?)
Le Brasseur balbuciou no dia 12/Mar/2009 às 11:20
Dr. Scoth… o que você sugere para quem está começando? Ballantines Finest, Red Label ou Chivas Regal 8 anos? Algo que seja saboroso e suave.
Allan Bic Jr. balbuciou no dia 12/Mar/2009 às 12:10
Muito bom o texto, dá até vontade de experimentar essa combinação, mas pra mim não tem como, não gosto de charutos…. já tentei por duas vezes, mas não deu certo… de qualquer forma um bom whisky vai bem em todas as ocasiões…
Dr. Scotch balbuciou no dia 12/Mar/2009 às 14:35
Ola pessoal,
normalmente quando alguém não diz que não gosta de charutos é por que considera esses charutos de revistaria e posto de gasolina como iniciação.
Aquilo não presta! Eu não conheço nenhum um único charuto minimamente apreciável por menos de 20$. Quem deseja começar com um charuto barato procure um Dona Flor Corona direto da Bahia que casa muito bem com uma cervejinha. Por aqui está na casa dos 30$ a unidade. Uma caixa com 20 está 500$.
Le Brasseur,
eu, pessoalmente, não gosto de Ballantines nem um pouco e nem sequer sabia que existia Chivas 8 anos. Dos Whiskies 8 anos que conheço, o Red Label é imbatível. Na verdade, ele é meu “leite” de todo o dia hehehe
Entre um Chivas 12 e um Black Label eu ainda fico com o JW. O Chivas é mais adocicado e de longe chega a lembrar Bourbons, que eu odeio. Prefiro Whiskies mais encorpados com aquele sabor bem pronunciado de alcool.
De qualquer maneira, na casa dos 12 anos existem dezenas de boas opções até 150$. Chega a ficar complicado decidir.
Abraço!
Le Brasseur balbuciou no dia 12/Mar/2009 às 15:49
beleza =*
João Boesso balbuciou no dia 13/Mar/2009 às 16:55
Dr.
As fotos que foram colocadas não representam os charutos comentados.
No Robusto foi colocada a foto de um torpedo, no churchill me parece que está escrito short churchill na anilha.
Além disso o corona, a foto está muito proxima e não dá pra identificar o tamanho mas me parece que é um churchil.
Dr. Scotch balbuciou no dia 13/Mar/2009 às 16:57
João,
eu não edito o texto. Quem selecionou as fotos foi nosso Dono do Bar.
Dono do Bar balbuciou no dia 13/Mar/2009 às 19:45
@João
No Robusto eu usei um Montecristo no. 2
No Churchil eu usei o Romeo Y Julieta Short Churchill
No Corona eu estava utilizando um certo, mas troquei por um Dona Flor Corona para que não tenha dúvidas ok?
Abraços e valeu o comentário
Grechejr balbuciou no dia 13/Mar/2009 às 20:42
Esse Dona Flor Gran Corona é muito gostoso, dos brasileiros até agora é meu preferido.
Fumo ele até com agua com gás, gelo, e hortelã!
Mario balbuciou no dia 15/Mar/2009 às 10:12
interessante, mas o camarada escreve ” beje”, seria uma nova cor ????
Dono do Bar balbuciou no dia 16/Mar/2009 às 0:42
Corrigido Mario. Vlw pelo aviso.
Abraços.
Nicolly Vittorazzi balbuciou no dia 22/Mar/2009 às 14:34
Desculpe a ignorância, mas existe combinação d cerveja com destilado? obrigada
Os Scotchs de um “Connoisseur” | Papo de Bêbado. Sua revista oficial sobre Bebidas Alcoólicas. balbuciou no dia 02/May/2009 às 19:49
[...] as conclusões que tiraria sobre eles. Ao final da rodada já estava meio tonto e decidi acender um charuto Montecristo no.2 para acompanhar. Na terceira rodada, o habano suavizou todos os Whiskies, em [...]
Cleo balbuciou no dia 08/Jul/2009 às 2:02
Muito legal o artigo!
Ronaldo Kebach Martins balbuciou no dia 31/Jul/2009 às 1:10
Para mim a melhor combinação é um Jack Daniel’s com um Cohiba Robusto.
Abração
Renê Pereira Cavalcante balbuciou no dia 08/Oct/2009 às 17:14
Sou estudante da ELAM em CUBA, e quando venho de férias trago alguns charutos, alguem sabe onde posso oferecer para venda uma caixa de charutos cohiba robusto, com todos os selos de garantia. Penso em R$600,00
Hamornização de Whiskies e Charutos | Rodrigo Castilhos balbuciou no dia 17/Nov/2009 às 23:25
[...] Leia na íntegra aqui. [...]
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